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sexta-feira, 17 setembro 2021

O que não pode parar



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2020 é para muitos a antítese de um ano perfeito e, se uma definição dos mais de 300 dias vividos até ao momento fosse pedida, seria muito provável que entre as palavras escolhidas estivesse aquela que assombra os noticiários diários: COVID-19. Embora de certa forma já acostumados com a ameaça desta doença no nosso dia a dia, uma cada vez mais presente segunda vaga obrigará grande parte de nós a voltar ao estado de confinamento e, indubitavelmente, este ano será recordado no futuro como aquele em que o mundo parou. Mas nem tudo pode parar.

Assim como a pandemia que assola 2020, as alterações climáticas são um tema sonante que em pleno século XXI não deixa ninguém indiferente. O fluxo constante de notícias à volta desta matéria (várias vezes alarmantes, mas nunca alarmistas) e fenómenos como o de Greta Thunberg, colocaram o assunto na esfera do debate público e atearam o rastilho para discussões acesas acerca do que podemos e devemos fazer para impedir que o planeta atinja a catástrofe há tanto tempo anunciada.

Contudo, é ainda percetível que uma fatia significativa dos cidadãos comuns, se não mesmo a maior parte, entenda que esta é uma questão relativamente abstrata e ainda temporalmente distante para justificar uma preocupação acima do normal. Desengane-se quem assim pensa: as alterações climáticas estão longe de ser um conceito desta natureza e encontram-se demasiado perto para serem encaradas com tamanha leviandade.

Numa altura em que estas mudanças começam a ter implicações concretas na nossa vida, e em que autores como David Wallace-Wells defendem que metade das emissões de carbono da História da Humanidade ocorreram nos últimos 30 anos, há quem rejubile com uma queda de 8.8% destas emissões durante a primeira metade deste ano, fruto das medidas de isolamento em resposta aos primeiros casos de COVID-19. Outros direcionam a sua preocupação para a quebra de produção que originou esta descida. No meu caso surge um estado de perplexidade: será necessária uma pandemia para abrandar este ritmo galopante em direção a um final desastroso? Custa-me a crer que sim, mas a cada dia que passa são dados sinais de incapacidade em responder adequadamente a um problema desta magnitude.

No início do mês de outubro uma fuga de informações da petrolífera ExxonMobil permitiu o acesso a documentos que indicavam a intenção da empresa em aumentar as emissões de carbono em 17% até 2025. Em números reais, isto significaria que a segunda maior petrolífera a nível mundial passaria a emitir mais 23 milhões de toneladas de CO2 por ano, totalizando assim 158 milhões de toneladas emitidas anualmente, valor superior ao de países como Portugal e Bélgica.

Este é só mais um caso dentro de um universo de empresas que perante uma crise climática tomam a decisão de aumentar ou manter os seus níveis de emissões, enfraquecendo assim a ambição de atingir a neutralidade carbónica em 2050. Mas o que podemos nós, meros Davids, fazer frente a um Golias como a ExxonMobil? Imenso. O valor desta gigante multinacional caiu 50% desde o início do ano, reflexo da fraca procura por combustíveis fósseis, numa tendência que é acompanhada por outras empresas do mesmo género.

Especula-se neste momento que o pico da produção destes combustíveis esteja ultrapassado e, por exemplo, a BP admite reduzir substancialmente a extração de petróleo e gás natural nos próximos dez anos e alterar a sua produção para fontes de energia menos prejudiciais ao ambiente. Cabe-nos a nós transformar esta especulação numa realidade palpável. O momento em que vivemos demonstrou que temos a capacidade para nos adaptar a novos paradigmas e que efetivamente é possível alterar o curso destes gigantes para objetivos sustentáveis. O que não podemos fazer é continuar a aceitar comportamentos como o acima citado e deixar empresas como a ExxonMobil usar e abusar de um sentimento de impunidade.

2020 é o ano em que um incontável número de coisas, muitas das quais tomadas como garantidas, mudou. Algumas destas mudanças deixarão marcas profundas nos anos que se avizinham. Foi um ano em que tivemos de alterar a forma como contactamos uns com os outros, a forma como trabalhamos, a forma como viajamos, a forma como vivemos. Entre tanto que mudou, é imprescindível uma última modificação: a nossa atitude face a um problema que, se não tiver uma resposta imediata, retirar-nos-á ainda mais do que esta pandemia. Entre tantas coisas que pararam, o combate a esta crise climática é o que não pode, de forma alguma, parar.  Porque o mundo parou, mas as alterações climáticas não.

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Ricardo Dantas
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