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sexta-feira, 14 maio 2021

Shinrin Yoku: a solução para o stresse?



O Japão é um dos países do mundo com maior densidade populacional. Ainda assim, 69% do território é coberto por florestas.

É notável o apreço que os japoneses têm nutrido, nos últimos anos, pelas florestas. Terapias alternativas ou de prevenção na floresta começaram a entrar na consideração da medicina, surgindo até uma ramificação desta área, especializada nos benefícios da floresta para a saúde do Homem.

Tem sido crescente o interesse por se estudar o impacto da floresta na nossa saúde, numa tentativa de amenizar a carga de stresse da vida quotidiana. O Japão é conhecido pelas suas longas jornadas laborais e pelos elevados níveis de pressão e competição nos seus estabelecimentos de ensino e locais de trabalho. O país do sol nascente possui também uma das mais elevadas taxas de suicídio, ocupando o terceiro lugar a nível mundial.

Como forma de dar a conhecer aos japoneses uma melhor qualidade existencial, surgiu a terapia Shinrin Yoku, que pretende o regresso do Homem à natureza. A expressão significa “banhos de floresta”, semelhante à expressão de “banhos de sol”. Esta terapia, que conta com milhares de praticantes, procura um maior contacto do homem com a floresta. Baseia-se numa caminhada consciente pela natureza, por um dos 60 trilhos oficiais para a prática dos banhos de floresta.

A um ritmo suave e numa tentativa de experienciar o “aqui e agora”, o objetivo é tomar consciência de si, examinando o nosso estado de espírito e o movimento dos músculos à medida que andamos, tomar conta da posição do nosso corpo no espaço, abrindo os nossos sentidos para experienciar o exterior e desligar o ruído interior da nossa mente.

A meditação, os alongamentos, o descanso numa cama de rede, a observação das estrelas, entre outras atividades, também fazem parte do conjunto de práticas deste programa japonês rumo à reconexão com a natureza. No fundo, permitir o corpo relaxar e desligar-se de todos os estímulos que as cidades nos propõem.

Desde há uns anos que se estuda e se comprova os benefícios da floresta na redução dos indicadores de stresse, como por exemplo a pressão arterial e os níveis das hormonas do stresse, como o cortisol. À medida que a ciência avança, agora é possível também medir a atividade cerebral e o sistema nervoso autónomo. Parece existir uma associação direta, estudada e fundamentada, entre o bem-estar das pessoas e o contacto próximo com a Natureza. A química do nosso corpo parece alterar-se com o ambiente com o qual nos envolvemos.

O ponto forte desta terapia será a sua componente preventiva de doenças causadas pelo stress e não propriamente de cura. O objetivo é promover o relaxamento fisiológico, aumentando a resistência do corpo à doença, algo que por vezes é suprimido devido à ansiedade.

Existem imensas dúvidas que são levantadas em detrimento dos resultados positivos e encorajadores dos indicadores de stresse nos praticantes. Será que se deve ao nosso contacto direto com a floresta, sendo este o meio que passamos mais de 90% do nosso processo evolutivo? Ou será, também, pelo afastamento que estabelecemos dos lugares que, no dia a dia, nos causam stresse?

Entre estas perguntas que tentam adivinhar a génese do nosso bem-estar na floresta, acrescenta-se aquela que pretende refletir sobre a nossa própria génese: Será que os nossos antepassados teriam as condições ideais para resistir ao stresse? Ou será este um problema que apenas nos atacou nos últimos séculos?

No livro “A natureza cura”, da jornalista Florence Williams, uma possível consideração parece fazer sentido: “Talvez o mais importante não seja a fonte de tensão, mas a capacidade de recuperar dela. Este é um ponto chave, pois constitui possivelmente aquilo que perdemos ao desligarmo-nos dos céus noturnos, do ar revigorante e da companhia dos coros dos pássaros.”

Esta reflexão aponta para a nossa atenção aos estímulos citadinos. É necessário que desliguemos o nosso modo de alerta, possibilitando o descanso do nosso cérebro. A sugestão está na natureza como forma de relaxar a nossa mente, que pode ser através das atividades já mencionadas, ou simplesmente através do fascínio causado pelos fenómenos naturais, como um pôr do sol, uma lua cheia, o azul do mar, entre outros. A cidade não é má para nós, se soubermos equilibrar a nossa vida com uma boa dose de natureza.

Os japoneses não acreditam que as pessoas ocupam um lugar especial na natureza, assumindo uma relação de paridade. Não surpreende que sejam pioneiros na investigação da natureza como terapia do Homem. A Coreia do Sul segue pelo mesmo caminho, no desejo de encontrar o bem-estar do Homem na floresta. Após atingirem um certo nível de segurança e bem-estar financeiro pós segunda guerra mundial, há cada vez mais pessoas a procurarem uma plenitude existencial. Os banhos da floresta na Coreia são conhecidos por Salim Yok. Existem três florestas curativas oficiais neste país, com a previsão de serem adicionadas mais 34, significando, portanto, que a maior parte das cidades terá acesso a uma floresta.

Luso.eu - Jornal das comunidades
Ana Sofia Graça
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