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Intermitências da Pandemia – o “novo normal”

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O tema que me apraz partilhar com base nalgum do meu pensamento – ainda estou a tentar perceber se pensar muito me faz mais feliz ou não – é o turbilhão de emoções que temos vivido desde que um humano foi infetado por uma doença transmitida por morcegos. Se ainda fosse algo aproximado ao Batman, que de alguma forma melhorava a humanidade...mas não! Bem em alguns aspetos talvez.

Sou professor numa escola de ensino internacional, que com a crise financeira causada pela pandemia viu algumas famílias incapacitadas de manter os filhos sobre a nossa orientação pedagógica. Porém, a rápida adaptação da nossa instituição ao ensino online, forçado pela quarentena, foi reconhecida por locais e não só, de tal forma que este ano recebemos novos alunos devido a esse sucesso. Outras famílias descobriram cá na Ilha da Madeira um “refúgio” com qualidade de vida e menores efeitos da pandemia que nos trouxe ainda mais alunos.

No desporto de alta competição, os campeonatos foram interrompidos há cerca de seis meses, muitos clubes entraram em lay-off, e os jogadores ficaram privados de jogar cerca de cinco meses. Por mais trabalho físico que se faça para manter o que for possível, faltam rotinas de jogo que condicionam o retorno da qualidade competitiva. Ainda assim, alguns clubes reajustaram objetivos e dinâmicas de funcionamento que poderão surtir efeitos positivos na sua estabilidade desportiva e financeira.

O exercício, que de repente foi tão valorizado na quarentena – agora a falta de tempo já não era desculpa –, também foi bafejado pelos ventos da sorte que trouxeram mais praticantes. Os ginásios voltaram a ficar disponíveis, porém, não houve a enchente que se poderia almejar, mas ainda assim desenvolveram-se mais iniciativas de exercício ao ar livre possivelmente atraindo novos praticantes. 

A sensibilidade das pessoas aumentou exponencialmente. Estou certo de que um psicólogo saberá explicar melhor isto do que eu, por isso vou pela via empírica. É que a “malta” agora tende a ofender-se ainda mais facilmente do que antes. Racismo, xenofobia, bullying, clubismos, direita, esquerda, público nos estádios, liga dos campeões, estratégias de controlo da pandemia...ei... calma! Julgo que mais racionalismo e menos emoção acéfala poderá ajudar a encontrar um posicionamento mais coerente e estratégias viáveis. Mas deixo este tema para outro texto, talvez o próximo. 

Devemos agora procurar o que eu chamo de “novo normal”. Os tempos são outros (já o seriam mesmo sem a Covid-19) e tal como noutros momentos da nossa vida temos que nos adaptar. Temos os nossos sonhos, apesar de condicionados pela liberdade que é possível neste contexto. Vamos aprender a ser felizes com menos, mas com o possível do agora, até que seja objetivamente possível e coerente querer mais.

Termino com um pensamento estoico, corrente filosófica que tanto aprecio, de um dos seus principais autores, Séneca: “Por vezes viver é um ato de coragem!”. Vamos lá ter coragem de refletir, aprender, mudar, melhorar e ser feliz com o “novo normal”.

Afonso Franco
Colunista
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Afonso Franco é um professor e personal trainer apaixonado pelo exercício físico, sobretudo no sentido profilático e do desenvolvimento holístico do ser humano. Dedica o seu dia a dia a ensinar crianças e adultos em contextos de escola, ginásio, clínica e desporto de alta competição. Licenciado em Ciências do Desporto e Mestre em Ensino, conta com mais de dez anos de experiência nestas áreas. Interessa-se por filosofia e neurociência.

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