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segunda-feira, 26 julho 2021

Cinema e Óscares como desconexão da realidade



Há muitos anos que vejo os Óscares da Academia. Nem me lembro bem quando é que esta paixão pelos prémios entregues pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas começou.

Gosto de sentir o meu coração a bater a um ritmo frenético durante um dia inteiro de domingo até ao momento em que as portas do Dolby Theatre em Los Angeles se abrem para receber várias estrelas de cinema. Pode parecer conversa infantil, mas a cada edição dos Óscares tenho aprendido imensas coisas sobre as mutações da arte, por muito que exista lobbying (festas, eventos, campanhas publicitárias, etc.) em torno dos filmes que acabam por ser nomeados e/ou vencedores das respetivas estatuetas douradas.

A maior cerimónia televisiva de entrega de prémios inspira-me pela forma como consegue celebrar os avanços técnicas e as proezas da arte. Se inicialmente via cada cerimónia como um complemento ao entretenimento cinematográfico, hoje vejo-a num sentido mais crítico, de maneira a entender aquilo que de melhor ou até de pior pode oferecer a indústria norte-americana de Hollywood. Através dos Óscares sou capaz de entender algumas fragilidades da cultura e os jogos de interesses existentes na crítica dita especializada dos EUA. Não deixei, no entanto, de me maravilhar com algumas obras nomeadas nos últimos anos, como por exemplo “Parasitas” de Bong Joon-ho; Era Uma Vez em… Hollywoodde Quentin Tarantino, “O Irlandês”, de Martin Scorsese ou “Roma, de Alfonso Cuarón, cineastas cujos olhos são a crítica à crítica.

Contudo, parece haver outro paradigma em margem junto dos votantes da Academia. Ver um filme potencial candidato dos Óscares deve respeitar um conjunto de valores éticos, morais e políticos. Pelo contexto mediático e social no qual vivemos como internautas, deixámos de ver objetos cinematográficos por si só. A experiência envolve agora uma espécie de pensamento crítico sobre a vida pessoal dos artistas. Passou a ser uma experiência em que discutimos a vida sexual de um ator, se este ou aquele argumentista é mais ou menos machista, se este ou aquele produtor é mais ou menos racista. Há comportamentos que devem ser denunciados e claramente deveríamos viver numa sociedade mais igualitária, mais humilde, que aceite com naturalidade a diferença (o outro). Mas como poderá a arte oferecer apenas um lado da moeda? Será que os Óscares devem incluir filmes, que façam dos prémios uma procura pelo igualitarismo forçado? Ninguém quer ver isso, e os Óscares precisam de encontrar um meio termo, sempre com o mérito artístico em primeiro lugar.

Curiosamente, ainda este ano os Óscares serão uma cerimónia bem diferente. Não só foram adiados em 2 meses, devido ao confinamento que decorreu no ano passado e que obrigou ao encerramento de salas de cinema, como os grandes favoritos tiveram estreia em streaming. “Mank”, “Os 7 de Chicago”, “Ma Rainey: A Mãe do Blues” e “Da 5 Bloods - Irmãos de Armas” estrearam todos na Netflix. “One Night in Miami” e “Sound of Metal” são produções da Amazon Prime. Até “Nomadland - Sobreviver na América” da Searchlight Pictures (uma subsidiária da Walt Disney Studios) estreou esta semana nos EUA através da plataforma Hulu. Por aqui poderemos concluir uma adaptação destes filmes ditos de autor a outro tipo de audiência: os subscritores de streaming que recorrem a tais plataformas para se entreterem. Existem por aí vários espectadores que não estão nada interessados em saber quem realizou, quem produziu ou quem escreveu um determinado filme. São pessoas que procuram apenas uma procura por uma ou duas horas de desconexão perante a realidade.

Portanto por que processos de readaptação passará a cerimónia dos Óscares da Academia? Que filmes e que autores serão celebrados? A meu ver, os filmes deveriam abrir horizontes, deveriam contemplar novas formas de ver o mundo e os seres humanos. Será difícil agradar a gregos e a troianos, mas os Óscares devem mostrar como a arte não tem uma só fé. A arte transcende qualquer barreira, qualquer dogma e é isso que deverá ser celebrado. Sem ceder a totalitarismos, a Academia precisa primeiro de pensar nos diferentes públicos. 

Luso.eu - Jornal das comunidades
Virgílio Jesus
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