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A semana passada foi o dia de Portugal, este ano celebrado em Braga e Londres. A iniciativa de celebrar o 10 de Junho também no estrangeiro partiu, se não estou em erro, do actual Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa. Não conheço os motivos que o levaram a extender as comemorações oficiais também ao estrangeiro, mas reconheço-lhe e agradeço-lhe a chamada de atenção ao país mediático para os emigrantes portugueses. Penso que ainda perdura o estereótipo do emigrante rural que foi para França a salto, quando passados 60 anos o país exporta hoje sobretudo gente jovem e com qualificações. E comemorando no estrangeiro o dia de Camões, é uma forma de mudar a visão que o país tem dos seus emigrantes. 

Foi também no dia de Portugal que se publicou o manifesto “Portugal uma potência mundial de softpower”. No essencial, o manifesto chama a atenção para a enorme diáspora portuguesa, estimada em 3 milhões, e para o softpower que lhe está associado. Ou dito sem utilizar chavões nem anglicismos importados, entre estes 3 milhões de emigrantes portugueses está gente que ou tem poder de decisão ou tem influência sobre quem decide, onde multinacionais vão abrir escritórios ou uma nova fábrica. E que estes 3 milhões de portugueses são, regra geral, bem vistos lá fora e dão uma imagem francamente positiva do país.  

A ideia do softpower lusitano não é de agora, a sede da Comunidade Aga Khan, uma corrente do Islão, instalou-se em Lisboa exactamente por causa do softpower português e não para estas mais próximo de Fátima. Também durante as últimas eleições legislativas, Carolina Diniz a cabeça de lista pela Europa da Iniciativa Liberal, sugeriu que o portugês tem o pontencial para ser utilizado como língua de negócios internacional em detrimento do inglês. A ideia não é de todo descabida, visto que o português é a língua mais falada no hemsfério sul. E também não é uma língua de uma grande potência, p.e. EUA ou China, pelo que é mais fácil de utilizar sem se correr o risco de acender sentimentos anti-imperialistas.  

Pese embora eu não discorde da análise que é feita no manifesto, parece-me que esta história do softpower é apenas mais um exercício de afagamento do ego de que muitas das elites portuguesas são prolíficas. Mas mesmo aceitando que é factual, o que vamos fazer com este poder ? De que serve convencer uma multinacional a criar emprego em Portugal, se depois é uma confusão com tudo o que seja serviço público ? Se o caos nos hospitais é o que se conhece, nas escolas já deixou de ser estranho os alunos não terem aulas, e os pedidos de licenças só avançam com uma “palavrinha” à pessoa certa ? 

Um exemplo recente, a Web Sumit de Lisboa foi pensada para atrair investimento estrangeiro nas novas tecnologias. E funcionou, o CEO da Cloudfare, que é só umas das empresas que forma a espinha dorsal da Internet, decide abrir escritórios em Lisboa. Mas rapidamente perdeu o encanto quando esbarrou com a burocracia portuguesa, e vem a público dizer que foi enganado pelo governo português. É para poder passar este tipo de vergonhas que queremos utilizar o nosso softpower ? 

Um outro exemplo mais antigo, passado se não estou em erro no final dos anos 90, inícios de 2000. A indústria do vidro da Marinha Grande andava pelas ruas da amargura e o governo decide formar uma task-force para lhe soprar vida nova. Contratam-se especialistas em design, marketing, gestão, vendas, etc. E com esforço conseguem criar uma nova linha de productos, assinaram-se contratos para fornecimento de grandes cadeias nos EUA. E… vitória, vitória, acabou-se a história ? Não, porque as empresas da Marinha Grande não foram capazes de satisfazer as encomendas. Tanto trabalho de inovação e esforço de vendas, quando as empresas se esqueceram que tinham que cumprir com os contratos que assinaram. 

Não haverá quem seja lesto a contra-atacar que erros acontecem, Roma e Pavia não se fizeram num dia. E estão correctos. Só não erra quem não tenta, e Portugal tem também histórias de sucesso. O meu ponto é que de nada serve o potencial para sermos um país bem melhor do que somos hoje, se não soubermos utilizar o dito potencial. Num país onde já um terço da população deu de frosques, se calhar dávamos por mais bem empregue o nosso tempo a resolver as causas de tanta emigração. Antes de correr a maratona, convinha saber andar sem as muletas económicas que a Europa nos emprestou. 

No fundo, esta história do enorme softpower português lembra-me a anedota do bodybuilder que estava na praia a exibir o corpo. Sempre que passava uma moça jeitosa, el diz-lhe “olha-me para este dinamite !”. Eventualmente lá houve uma que mordeu o anzol, vão para o quarto e assim que ele se despe, diz a rapariga: “tanto dinamite, e um rastilho tão curto !”. O softpower português suspeito que seja o mesmo, tanto poder mas .. mole.

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Nelson Gonçalves
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