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segunda-feira, 26 julho 2021

E quando tudo acabar?



Este mês optei por falar em algo frequentemente desconfortável. No entanto, procuro estimular o leitor a pensar sobre algo que habitualmente evita falar/pensar: a morte. Não pensar sobre ela, na verdade, não a afasta de si. É um desfecho inevitável, como sabemos, e que caso a interrompêssemos poderíamos aumentar o nosso sofrimento1. De qualquer forma, pensar sobre a morte não a aproximará tendo em conta que, de uma forma ou de outra, todos pensamos desde cedo e morremos em tempos diferentes uns dos outros, embora evitemos falar sobre ela. Estou longe de ser um expert nesta matéria, pelo que o que abordarei nos próximos parágrafos são apenas os meus pensamentos fundamentados no pouco que tenho aprendido nas minhas leituras.

Para uma leitura menos fatalista, optei por organizar o meu texto em 3 partes: (1) o cérebro quer viver; (2) medo da falta de sentido; e (3) como tornar a vida eterna. Passo então a me explicar melhor e vou tentar não ser chato, e por surpreendente que pareça tendo em conta o tema, construtivo e positivo!

O cérebro quer viver

Ao longo da nossa evolução, os cérebros mais capazes de garantir a sobrevivência em diferentes contextos proliferaram. Este órgão é constantemente “bombardeado” com informação sobre o estado interno do corpo (órgãos e “sensores internos”) bem como da relação com o meio externo (visão, audição, etc). Os estímulos alteram o estado de células que informam o cérebro, criando uma imagem mental e por sua vez um sentimento. Este sentimento será considerado “bom” ou “mau” consoante aquilo que se considera adequado à sobrevivência1. Uma crítica, uma doença, ou uma má memória são consideradas afrontas à sobrevivência, logo morte.  Por sua vez um elogio, um sucesso ou uma boa memória são associados à manutenção da vida, ou algo melhor que isso: a sobrevida. Assim, é normal que pensar sobre a própria morte possa causar o sentimento de medo, mesmo sabendo que é algo certo.

O medo da falta de sentido

Na verdade, o ser humano não teme a morte como resultado (já que esta é certa), mas sim o PROCESSO de morrer: “COMO vou morrer?”. Camus é um dos autores que me inspiraram no pensamento de que esta questão nos surge porque procuramos um sentido e finalidade na nossa vida, onde provavelmente não existem2. Se não existe sentido, então “porque estou vivo?” e “porque vou morrer?”. No meio de um cosmos que foge à nossa capacidade de compreensão de tão imenso e complexo que é, parece-me até presunção pensar que todo este universo surge com o intuito de ser centrado no ser humano. Sendo religioso ou não, convenhamos: nós não somos assim tão importantes. Mas então, e agora? Como podemos viver uma vida para a qual não sei a que se destina? Este vazio gera um sentimento de falta de controlo, logo é “mau”, e por isso tal como abordado no parágrafo anterior: “a morte está próxima”. Parece um problema sem fim, eu sei, mas vou tentar ajudar no próximo parágrafo. 

Como tornar a vida eterna

Olho para esta falta de sentido como um hino à liberdade! Se a vida não tem sentido, eu acrescentar-lhe o meu não fará nem bem nem mal na medida em que não prolonga a minha vida no tempo. Mas posso acrescentar valor, naquilo que para mim acrescenta um propósito à minha vida. O que aqui falo é num legado! Se sei que vou morrer, a única coisa que me resta é deixar “parte de mim” nas pessoas que valorizo, e assim tornar-me eterno. Parte de mim continuará, de alguma forma (hábitos, formas de pensar, valores, memórias, etc.) eterno nos outros que morrerão depois de mim. E mesmo isso, um dia desaparecerá, já que também essas pessoas sofrerão o mesmo destino que eu. E está tudo bem, afinal, sou apenas mais um humano!

Pensar sobre a morte, na verdade, não me deprime. Ajuda-me, sim, a viver melhor pois sei que sou finito e a única coisa que posso fazer é viver bem, seja lá isso o que for e que fica para outra oportunidade. Já agora, se assim entender e estiver curioso pode investigar: “Memento Mori”.

  1. “Intermitências da Morte” – José Saramago
  2. “Ao encontro de Espinosa” – António Damásio
  3. “O estrangeiro” – Albert Camus
Luso.eu - Jornal das comunidades
Afonso Franco
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