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Moreno, bigode retorcido ao jeito do início do século XX, como que saído de 1910 embora, diga-se, de simpatia monárquica, sorriso malandro, distinguir-se-ia com facilidade pela proveniência em qualquer parte do mundo. Mas assentou arraiais em Bruxelas e ainda bem para o País e para nós, expatriados, que assim penamos menos nas saudades que nos marcam os genes.
A Casa Garcia, "Pâtisserie Garcia" ou simplesmente pastelaria Garcia, situado no coração da capital belga, na Avenue de la Couronne, Ixelles, transporta-nos ao Alentejo profundo. E de cada vez que ali nos sentamos sentimo-nos em casa, que é como quem diz, na casa do Garcia, que nos recebe com a mesmíssima hospitalidade com que certamente nos brindaria em Lavre,  terra natal do concelho de Montemor o Novo.

Na sua particular estratégia para lidar com a distância e a ausência do espaço, da cor, da luz, da arquitectura, das marcas mais distintivas das suas origens, fez do interior de um local aberto ao público, a imagem fronteira da casa que o viu nascer. Está tudo lá. O esmero cuidado de uma casa alentejana, com as formas, o branco realçado a azul nas paredes, a porta de madeira que tantas vezes abriu desde menino, roubada ao restauro que o tempo impôs e que ao invés da destruição, encontrou descanso em paragens longínquas e até o ninho da andorinha, para que não lhe falte nada  e a nós nada nos falte.

E depois, claro, os pastéis de Nata, que não sendo de Belém, no sentido de que geograficamente são fabricados na Bélgica, têm o estalar da massa, a textura, o tempo de forno certos e um sabor de que podemos pedir meças a quaisquer outros, produzidos da rua de Belém, em Lisboa. Não há belga, ou cidadão de outras partes do mundo que não se renda à iguaria. E não há português que não salive por antecipação com a simples ideia de um café a qualquer hora do dia, que no caso, serve de bom pretexto para o pecado da gula impossível de resistir.

Finalmente há o carácter. O espírito franco e aberto, a alegria e a forma fidalga de se relacionar, a amizade sincera com que acolhe todos, patrícios caloiros acabados de chegar, inclusivamente.  E claro, o Benfica. O clube com que vibra, juntamente com milhões de adeptos, mesmo quando o faz sofrer num ou noutro resultado futebolístico menos desejado. Do outro lado da rua sabe poder contar com o Café Portugal, outra casa de referência da lusitanidade na Bélgica, pejado na decoração pelas cores e os símbolos do Glorioso, pertença de outro grande português e amigo incondicional,  o beirão Albano Figueiredo.

Pessoas assim mostram um Portugal que vence. Que se desdobra em talentos e que das dificuldades faz sucesso.
A Bélgica será a Bélgica e Bruxelas será Bruxelas. Mas facto é que sem a Casa Garcia não seriam a mesma coisa. É nós, portugueses, viveríamos lá muito pior.

 

 

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