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segunda-feira, 20 setembro 2021

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Gazeta Lusófona na Suíça despede-se com a última edição de abril/maio



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Fundado  há 22 anos, o jornal de diáspora Gazeta Lusófona, ao serviço desde 1998 da comunidade portuguesa residente na Suíça, vai fechar, como anunciou um dos fundadores, Adelino Sá, no seu último editorial de abril/maio.

Fundado  há 22 anos, o jornal de diáspora Gazeta Lusófona, ao serviço desde 1998 da comunidade portuguesa residente na Suíça, vai fechar, como anunciou um dos fundadores, Adelino Sá, no seu último editorial de abril/maio. 

"Quero agradecer publicamente as imensas mensagens de apoio e acreditem que este é um momento muito difícil", explicou o diretor do jornal no editorial.

Adelino Sá, natural do Porto, junto com o jornalista Manuel Araújo, natural de Amares, foram os fundadores daquele que foi um dos primeiro jornais destinados à comunidade portuguesa na Suíça.

O jornal, com sede na cidade de Luzerna, contava com uma tiragem média mensal de 6.000 exemplares que chegava a todo o território helvético.

Num artigo de opinião para a revista Lusitano de Zurique, da qual Manuel Araújo é actualmente editor, o mesmo explica como surgiu a necessidade de criar este jornal: “Há mais de 35 anos quando cheguei à Suíça, a informação que tínhamos sobre Portugal era praticamente nula. A fome informativa era tanta, que havia portugueses, entre os quais me incluo, que ao fim de semana visitavam o aeroporto na esperança que algum passageiro vindo de Portugal, lhes deixasse o jornal do dia, que era distribuído durante a viagem”.

Com a chegada da RTP na década de 90 ao pacote de televisão suíça, surge um dos primeiros jornais de diáspora, o Luso Helvético, para o qual Manuel Araújo e Adelino Sá colaboraram. “Foi o terceiro jornal português a ter uma página na internet, a seguir ao jornal O Público e ao Jornal de Notícias. Saí devido a divergências de opinião e criei com o actual diretor e proprietário (Adelino Sá), o Gazeta Lusófona. Foi um sucesso, mas mais tarde, em desacordo com a linha editorial imposta, optei por vender a minha parte”, explica o jornalista Manuel Araújo.

Segundo o actual diretor, foi necessário “muito esforço e dedicação” para dar vida ao jornal durante os 22 anos que esteve ao serviço da diáspora portuguesa na Suíça, ainda no editorial, que reproduziu na rede social Facebook.

“Para se chegar até aos dias de hoje, foi necessário percorrer muitos milhares de quilómetros, nos últimos 14 anos. E orgulhamo-nos muito, temos de o referir, de nunca termos falhado uma única edição”, adianta Adelino Sá.

A Gazeta Lusófona, conhecida pela comunidade portuguesa na Suíça como sendo um “jornal de proximidade”, além de tratar dos mais diversos temas da atualidade portuguesa na Suíça, disponibilizava informações práticas aos leitores de forma a ajudar a comunidade na sua integração no país de acolhimento.

Adelino Sá, um dos fundadores da Gazeta despede-se, deixando explícito todo o esforço e dedicação que colocou no projeto para servir a comunidade durante mais de duas décadas.

“Dei desde o início o melhor de mim em enaltecer e divulgar o melhor da nossa comunidade, que é rica de valores e profunda de sentimentos patrióticos, com uma dedicação e amor incomensurável à terra que os viu nascer, carregando consigo os nossos costumes e tradições”, explica o jornalista.

Manuel Araújo referiu ainda as dificuldades com que se depararam na criação do jornal: “O Gazeta foi criado e dei o ‘corpo ao manifesto’ durante mais de quatro anos a aguentar o barco, enquanto havia prejuízo. Antes da criação do Gazeta, o Adelino era um carteiro que sabias escrever umas coisas, ele veio para o Luso Helvético uns tempos e depois de sairmos os dois, criámos o Gazeta. Mas fui eu e o Luís Esteves que assinámos a declaração para a CCPJ (Comissão de Carteira Profissional). Uma vez que o Adelino aceitou o cargo de director, foi-lhe atribuída então a carteira profissional de jornalista, sem qualquer estágio”.

Manuel Araújo regressou a Portugal em 2000, para dirigir a redação do jornal Gazeta Lusófona, que tinha sede em Amares e em 2003 vendeu a sua parte amigavelmente a Adelino Sá, ficando este à posteriori como único proprietário do jornal, a par com as suas funções de director do mesmo.

“A idade começa a pesar e os problemas de saúde também se começam a avolumar. Chegou o momento de me despedir depois de 22 anos de atividade”, declara o Adelino Sá, confessando que “não é uma decisão fácil e que de certeza nem todos vão entender”.

Segundo o director do jornal, a situação atual de pandemia veio acelerar a tomada de decisão de encerramento do projeto.

“Este período mais obscuro, devido a esta pandemia, que veio trazer ao de cima todas as nossas imensas fragilidades, faz com que vos escreva estas palavras de despedida”, refere Adelino Sá, salientando que “esta paragem também veio trazer ao de cima todas as debilidades do foro económico e, muito especialmente, para quem tem um projeto que depende de terceiros”, como é o deste jornal que chega ao final da sua vida.


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