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Novo estudo pretende mostrar expectativas dos emigrantes no regresso definitivo a casa.



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O estudo das migrações de regresso a Portugal não tem sido sistemático nos trabalhos sobre a emigração portuguesa. 

O estudo das migrações de regresso a Portugal não tem sido sistemático nos trabalhos sobre a emigração portuguesa. No entanto, mesmo após uma corrente mais significativa de regressos de portugueses de França e da Alemanha, em resultado das crises provocadas pelos choques petrolíferos, nos anos 1970, foi sempre havendo movimentos de contracorrente da emigração. Ou seja, os regressos, tal como a emigração, nunca terminaram.

Após a intensificação da emigração associada à subida do desemprego, particularmente entre os jovens, e à austeridade dos anos da Troika, a temática dos regressos reentrou na agenda científica, política – nomeadamente com o Programa Regressar – e mediática. O interesse da investigação deriva da combinação da ideia de que os regressos são expectáveis, devido à retoma económica portuguesa que se verificava antes da pandemia, com evidências científicas de que existe uma tendência para uma parte importante dos imigrantes deixarem, cinco anos após a chegada, o país onde foram residir, seja para regressar ao país de origem, seja para reemigrar.

No seguimento de um projeto recente sobre a emigração portuguesa (REMIGR 2014-2016), está em curso o projeto “Experiências e expectativas de regresso dos novos emigrantes portugueses: reintegração e mobilidades” (EERNEP), financiado pela FCT com a referência PTDC/SOC-SOC/28730/2017. O projeto é coordenado pelo CICS.Nova.IPLeiria, tem co-coordenação do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e parceria do CIES_Iscte-Instituto Universitário de Lisboa.

É às intenções e aos regressos efetivos de emigrantes que saíram naqueles fluxos migratórios mais recentes que o projeto, com uma duração prevista de 36 meses e que se iniciou no princípio de 2019, se dedica. Através de várias atividades, podemos identificar dois objetivos principais no estudo: por um lado, conhecer as expectativas ou intenções de regresso (ou de não regresso) entre portugueses ainda emigrados e analisar os fatores que influenciam essas mesmas intenções, que remetem para os contextos de relação com o país de residência ou acolhimento, mas também com as formas de relacionamento com Portugal; por outro lado, importa estudar regressos já concretizados e compreender como o que esteve na origem da decisão de regresso, mas especialmente como se está a processar ou processou a reintegração em Portugal. Obter respostas com os objetivos referidos significa obter importantes contributos para aferir o potencial o potencial de desenvolvimento demográfico e económico para o país, designadamente devido aos investimentos que poderão ser feitos e à transferência de conhecimento acumulado durante o processo de residência no estrangeiro.

Para que os estudos sejam úteis na prestação de informação à opinião pública e aos governos e poderes políticos, é necessário que haja um envolvimento dos agentes desses estudos, participando nos instrumentos que são disponibilizados para recolher as suas experiências, as suas opiniões, as suas sugestões. Esta informação permite complementar a análise das estatísticas recolhidas no Eurostat, ao qual os institutos de estatística dos países europeus (no caso português, o INE) reportam informação. Só dando “voz” – neste caso, por escrito — aos emigrantes, é possível desenvolver recomendações que possam atender ao que estes desejam, assim como contribuir para políticas públicas eficientes.

Assim, convidam-se os leitores a participar no inquérito que procura contribuir para o conhecimento sobre que expectativas de regresso têm os portugueses residentes no estrangeiro. Dirige-se, portanto, a cidadãs/os de nacionalidade portuguesa e/ou nascidos/as em Portugal.

Importa referir, ainda, que na época que vivemos, com a pandemia, não só é muito mais difícil recolher informação presencial, como haverá efeitos na estruturação das sociedades, no emprego, na economia, entre outros, que também exercerão influência sobre as expectativas de regresso e de reintegração após o regresso. Importa, portanto, identificar os efeitos que a pandemia teve sobre a vida e os projetos migratórios dos/as respondentes, razão pela qual também faz parte do inquérito um conjunto de questões a esse respeito.

Mais informações sobre o projeto e as suas próximas atividades, onde se incluirá um inquérito dirigido a portugueses regressados daqui a uns meses, podem ser consultadas aqui. Dúvidas ou questões podem ser enviadas para o e-mail eernep( @ )gmail.com.

 


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