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O escritor angolano José Eduardo Agualusa é o primeiro autor de língua portuguesa a vencer um dos mais prestigiados prémios literários mundiais, o International DUBLIN Literary Award, atribuído à edição em inglês do romance Teoria Geral do Esquecimento (D. Quixote, 2012),  A General Theory of Oblivion, na tradução de Daniel Hahn.

 “Teoria geral do esquecimento”, que já recebera o Prémio Fernando Namora em 2013, não é uma obra sobre a memória, e menos ainda sobre lembranças mais ou menos nítidas ou marcantes. É essencialmente uma obra sobre aquilo que não podemos deixar de lembrar.

“Luanda, 1975, véspera da Independência. Uma mulher portuguesa, aterrorizada com a evolução dos acontecimentos, ergue uma parede separando o
seu apartamento do restante edifício - do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobreviverá a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer. Teoria Geral do Esquecimento é um romance sobre o medo do outro, o absurdo do racismo e da xenofobia, sobre o amor e a redenção.”

O autor explica desta forma a ideia na origem do romance:
“No meu diário - há mais de 20 anos que escrevo um -, encontro a informação de que, no dia 10 de janeiro de 2005, Jorge António, diretor de cinema português, casado com uma coreógrafa angolana, e que vive entre Angola e Portugal, veio propor-me uma ideia para um roteiro. Não gostei, mas falei-lhe do enredo para um romance sobre uma velha senhora que se emparedou num apartamento, em Luanda, pouco antes da independência. Ele gostou da ideia e eu escrevi o roteiro, mas o filme nunca chegou a ser feito. Então essa mulher, a Ludo, continuou a crescer dentro de mim. Acho que nós escrevemos para nos libertarmos dos personagens. Ou melhor, para libertarmos esses personagens que crescem demais. Então, depois de escrever o Milagrário Pessoal, decidi que era tempo de libertar a Ludo. Foi um processo relativamente rápido, porque eu tinha sido a Ludo durante todos aqueles anos. Sabia como ela havia conseguido sobreviver, fechada em casa, durante três décadas.”

Fechada em casa durante três décadas, Ludo, a personagem principal, procura fugir das armadilhas do passado, mas sobretudo das emboscadas urdidas pela memória de um episódio da sua juventude. Escapar ao passado faz-se, no presente, construindo muros de resguardo e de proteção que se transformam, contudo, em tapamentos da realidade de que, desta forma, só conhecerá ecos, rumores. Uma realidade que lhe chega filtrada por testemunhos de terceiros, sussurrada pelo medo, coada pelo silêncio e pela ausência.

As paredes de defesa que constrói à sua volta preservam-na dos efeitos da guerra, mas será isso suficiente? Viver não é muito mais a oportunidade de curar as feridas depois do desastre, enxugar as lágrimas depois do desgosto, aquietar a alma e a consciência depois dos erros para os corrigir e fazer de novo?

Fechada em casa durante três décadas, Ludo mostrar-nos-á que, ainda que tudo seja adverso, ainda que as evidências nos mostrem que o caminho é sinuoso e os ventos hostis, aquilo de que nunca nos podemos esquecer é da extraordinária oportunidade de viver, de sorrir da própria desgraça e de zombar do presente acreditando no futuro.

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