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Portugueses sem resposta à petição para travar quarentena obrigatória na Suíça



(Lusa) – Os emigrantes portugueses continuam sem resposta a uma petição enviada à Confederação Suíça, há uma semana, para travar a quarentena obrigatória para todos os viajantes oriundos de Portugal.

Mais de 11 mil emigrantes portugueses residentes na Suíça assinaram uma petição lançada na rede social Facebook, na página "Emigrar para a Suíça", a solicitar a retirada de Portugal da lista de países considerados de elevado risco de infeção pelo novo coronavírus. 

Caso a decisão da Confederação se mantenha, todos os portugueses que viajarem ao país de origem a partir de 14 de dezembro serão obrigados a fazer uma quarentena de 10 dias após o seu regresso a território suíço. 

A decisão da Suíça foi anunciada no início do mês e está a gerar uma onde de revolta por parte dos emigrantes, que afirmam ter sido uma decisão baseada em dados desatualizados. 

"Criei a petição uma hora depois da Confederação ter decidido colocar Portugal na lista, no dia 04 de dezembro, porque reparei que os números estavam inferiores aos limites fixados pela Confederação", afirmou Samuel Soares, autor da página "Emigrar para a Suíça".

O criador da petição explicou à agência Lusa que, quando a Confederação tomou a decisão, em 02 de dezembro, de colocar Portugal na lista de países de elevado risco, "os números não estavam a favor de Portugal", no entanto, a decisão só foi comunicada publicamente dois dias depois e, nessa altura, "os números de casos em Portugal já tinham diminuído", reiterou. 

Samuel Soares confessou que estava à espera que a Confederação se manifestasse relativamente à petição, na conferência de imprensa de hoje, no entanto nada foi dito relativamente ao assunto.

"Estou desiludido, mas ainda não perdi a esperança. Continuo à espera de uma resposta oficial da parte das autoridades suíças", afirmou o criador da petição, acrescentando que tomou conhecimento que as autoridades portuguesas na Suíça estão a mobilizar-se de modo a chegarem a um acordo. 

Segundo declarou Yann Hulmann, porta-voz do Escritório Federal Suíço de Saúde Pública (OFSP), à televisão suíça RTS, "não deverá haverá qualquer atualização da lista antes do início do próximo ano", explicando que "uma atualização diária da lista não é possível". 

A onda de indignação por parte dos emigrantes portugueses continua visível nas redes sociais, onde a diáspora têm exposto o seu descontentamento relativamente à tomada de decisão da Suíça de colocar Portugal na "lista vermelha". 

"Os portugueses não entendem, nem aceitam, que Portugal esteja na lista dos países de risco. Muitos deles tiveram de anular as férias e estão muito tristes de não poderem passar as festas de Fim de Ano junto das suas famílias", declarou o criador da petição.

Samuel Soares disse ser um dos afetados pela situação visto que não poderá viajar para Portugal no Natal. 

"Eu, por exemplo, era para ir a Portugal nas férias de Natal, como acontece todos os anos, no entanto, este ano não posso ir a Portugal porque não consigo tirar sete dias de férias extra para ficar em casa quando voltar de férias", lamentou o português.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.580.721 mortos resultantes de mais de 69,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 5.373 pessoas dos 340.287 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.


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