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Emigrante,  é  tão  e  somente  uma  palavra  que  ao  longo dos tempos por muita e boa gente foi quase que estigmatizada. Palavra  dita  e  usada  para  denegrir,  para  gozar  com quem  por  sina  e  por  ela  estavam  marcados.

Um  dia,  estando  eu  num  evento  musical,  ouvi  uma canção  que  dizia  mais  ou  menos  isto: “ O  emigrante  é  um  vaidoso.” Filhos  disto,  filhos  daquilo,  se  vos  apanhasse  agora aqui  fazia  e  acontecia!  Quem  será  que  pensou  tamanha barbaridade? ” Perante  a  minha  indignação  um  meu  familiar  sorriu  e disse: “Isto  é  dos  Mão  Morta.”
Hoje,  cerca  de  vinte  e  três  anos  decorridos  desde então,  penso  que  afinal  havia  alguma  razão  na  afirmação contida  na  tal  canção. Porque  é  certo  que  muitos  com  as  suas  atitudes  se puseram  a  jeito.

Muitos  chegavam  com  tanta  ânsia  de  exibir,  de mostrar  o  que  tinham  e  o  que  não  tinham  porque  muito do  que  exibiam  ainda  era  propriedade  do  banco  devido  ao crédito  contraído.
 E  assim  davam  uma  ideia  errada  demasiadamente deturpada  das  vantagens  da  emigração. “Olha,  ainda  há  tão  pouco  tempo  que  foi  e  já  fez  este casarão!” Até  que  poderiam  ser  boas,  mas  não  assim  tão mágicas. 

Nunca  foi  nem  nunca  será  assim  tão  fácil:  chegar, abanar  a  árvore  das  patacas,  embolsá-las  e  regressar  rico  de papo  cheio. Chegavam  e  compravam  este  mundo  e  o  outro  e  com isso  levaram  a  que  alguns  chicos-espertos  inflacionassem     tudo:  terrenos,  casas,  coisas  já  como  pedras  quedas, adormecidas,  incultas... Compravam,    porque    fulano    e    sicrano    também compravam.

Por  vezes  compravam  terrenos  que  ficavam  ao cuidado  de  seus  familiares,  para  serem  amanhados.
 Alguns desses  familiares  eram  já  muito  velhotes  e  penso,  que  os que  compravam,  nem  sequer  pensavam,  ou  se  pensavam não  queriam  saber  que  no  futuro,  num  dia  qualquer,  eles próprios,  teriam  que  deles  cuidar.

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Um    dia,    quiçá    já    muitos    velhinhos    quando regressassem,  se  regressassem. Quem    ainda    se    lembra    das    peitaças    peludas parcialmente  cobertas  por  camisas  de  tecido  tão  transparente que  dava  jeito  para  mostrar  o  molho  de  notas  de  quinhentos escudos! Molho esse, trazido à luz do sol, por dedos vaidosos, por  vezes  até  e  somente  para  pagarem  umas  cervejas?! Quem  ainda  se  lembra  das  assopradelas  dos  escapes, provocadas  por  pés  pesados,  para  melhor  se  fazer  ouvir  a roncadela  do  motor  da  reluzente  bomba?! Sim,  mas  quem  não  é  vaidoso  (ainda  que  um  pouco) que  levante  o  dedo,  ou  que  atire  a  primeira  pedra.

Mas  eis  que  outros,  os  tais  que  por  lá  ficaram,  na  altura das  vacas  gordas...  (a  viverem  à  grande  e  à  Francesa,  como se  usa  e  ousa  dizer)  mesmo  assim  invejosos  e  maldizentes cobardemente  estacionados,  porque  nunca  tiveram  coragem suficiente  para  emigrar,  (sim,  porque  emigrar  é  um  acto  de coragem!)  Ou  porque  viviam  acomodados,  pendurados  em confortáveis  e  generosos  subsídios!  Quando  os  viam  chegar soltavam  outras  barbaridades  tais  como:  “Lá  vem  o  Francês! Lá  vem  o  Suíço!” Eram  bacoradas  grunhidas  pelas  bocas  dos  mesmo, que  depois  se  lhes  colavam  aos  costados  à  cata  de  lhes cravarem  um  copito  de  três. Muitos  desses  que  hoje  em  dia,  infelizmente  devido  à 232   cambalhota  financeira  que  a  política  por  lá  instalou,  fazem apelos,  desesperadamente  a  quererem  emigrar. Agora,  cada  qual  dos  tais,  porque  vai  vestir  a “samarra”  da  emigração,  deveria  ter  muito  cuidado  não  vá ele  (ou  eles)  não  suportar  o  desconforto  da  comichão  da palavra  emigrante. Enfim!... Emigrante,  somente  uma  palavra  vã  que  define  um estado,  uma  condição. Emigrantes  foram  os  corajosos  navegadores! 

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Que partiram mundo fora! Enfrentando mares revoltos, perigosos, montados  em  autênticas  cascas  de  nozes! Partiam    certamente    com    uma    grande    dose    de esperança  às  costas,  esperando  um  dia  qualquer  voltarem, de  preferência  muito  ricos! Alguns  regressavam  com  os  bolsos  cheios!  Outros tesos,  mas  cheios  de  maleitas,  esperando  morrer  na  santa terrinha  que  os  viu  nascer. Outros  ainda,  por  lá  ficavam. 

Ora  por  entretanto  já terem  criado  raízes,  terem  constituído  outra  família,  ou  por já  estarem  a  fazer  tijolo,  a  alimentar  minhocas... Emigrante  de  outrora  para  os  “Brasis”,  de  onde  os  que regressavam  com  um  bom  pé-de-meia  foram  alcunhados  de: Torna-viagem. Emigrante  a  salto  com  trouxas  no  lugar  de  malas. Emigrante  do  comboio  “Sud-Express.” Emigrante  ao  volante  da  “bomba”  reluzente! Emigrante  que  nos  dias  de  hoje,  vai  e  vem  de  avião porque  é  mais  prático  e  mais  limpo  para  transportar  os canudos  e  as  novas  tecnologias  de  que  se  faz  acompanhar.
Emigrante  assim  ou  assado,  mas  ambos  comungando e  sofrendo  os  meus  martírios,  as  mesmas  saudades. Emigrante  sou.  E  com  muita  satisfação  porque: Emigrar  é  um  acto  de  coragem!

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