LISBOA – A Caixa Geral de Depósitos (CGD) formalizou, em dezembro de 2025, a alienação da sua participação de 19% no capital social da Águas de Portugal (AdP) à Parpública, a holding que gere as participações do Estado.
A operação, comunicada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), resultou num encaixe financeiro de 375,5 milhões de euros para o banco público.
Impacto Financeiro e Mais-Valias
A transação representa um marco importante para o balanço da CGD, gerando uma mais-valia bruta estimada em 188 milhões de euros. Este encaixe de capital reforça a solidez financeira da instituição liderada por Paulo Macedo, permitindo ao banco libertar fundos de ativos não estratégicos e focar-se na sua atividade bancária core.
Controlo Total do Estado
Com a saída da CGD, o Estado português passa a deter o controlo de 100% da Águas de Portugal através de participações diretas e indiretas (via Parpública e Direção-Geral do Tesouro e Finanças). O processo de negociação entre o Governo e o banco público já se arrastava desde o final de 2024, tendo o acordo final sido alcançado no último trimestre de 2025.
A Águas de Portugal é o principal operador no setor do abastecimento de água e tratamento de águas residuais em Portugal, gerindo infraestruturas críticas em todo o território continental. A centralização do capital na Parpública visa simplificar a estrutura de governação da empresa e garantir a gestão pública direta de um recurso estratégico nacional.