O alegado ato de vandalismo no gabinete do CHEGA é demasiado grave para ser tratado com ligeireza. O Parlamento é o coração da nossa democracia e qualquer ataque a um gabinete parlamentar merece uma investigação célere, rigorosa e totalmente transparente.
Confesso que alguns dos pormenores conhecidos até agora me deixam muitas dúvidas. Como é possível haver objetos caídos e um quadro no chão sem o vidro partido? São questões que terão de ser esclarecidas pelas autoridades. Não faço acusações nem tiro conclusões antecipadas, mas os portugueses têm o direito de conhecer toda a verdade.
Se houve vandalismo, os responsáveis devem ser identificados e punidos de forma exemplar. Se, pelo contrário, se provar que houve uma encenação ou qualquer tentativa de manipulação, então as consequências terão de ser igualmente firmes. Em democracia não pode haver espaço para dúvidas nem para jogos que abalem a confiança dos cidadãos nas instituições.
Ao mesmo tempo, continua a arrastar-se o caso do ministro da Administração Interna, Luís Neves. As notícias sucedem-se, as suspeitas acumulam-se e as explicações continuam a tardar. Um ministro da Administração Interna tem de estar acima de qualquer suspeita. Quando a confiança é colocada em causa, o silêncio ou os sucessivos adiamentos apenas alimentam a desconfiança.
Se alguma das suspeitas que têm vindo a público, uma que seja, vier a confirmar-se, a demissão do ministro será uma exigência política inevitável. E o impacto não ficará apenas por aí. Será também um duro golpe na credibilidade do Governo, que terá de responder perante os portugueses pelas escolhas que fez e pela forma como geriu este processo.
A democracia vive da confiança. E essa confiança conquista-se com transparência, responsabilidade e respeito pelos cidadãos, não com o prolongar das dúvidas.
Os portugueses merecem respostas. Merecem a verdade. E merecem instituições fortes, credíveis e dignas da confiança que nelas depositam.






















