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Fotografia: Lusa/Ronald Peña R.


Tragédia na Venezuela: pelo menos 235 mortos e mais de 4.300 feridos após dois fortes sismos que devastaram o norte do país.

Caracas – A Venezuela enfrenta uma das piores catástrofes naturais das últimas décadas, depois de dois fortes sismos terem abalado o norte do país na noite de quarta-feira, provocando centenas de mortos, milhares de feridos e dezenas de milhares de desaparecidos.

De acordo com as autoridades venezuelanas, o primeiro abalo, de magnitude 7,2, foi seguido apenas 39 segundos depois por um segundo sismo, de magnitude 7,5. O epicentro localizou-se a cerca de 160 quilómetros a oeste de Caracas, mas os efeitos fizeram-se sentir em grande parte do território venezuelano e também em países vizinhos.

O mais recente balanço oficial aponta para pelo menos 235 vítimas mortais e mais de 4.300 feridos. As autoridades admitem, contudo, que o número de mortos poderá aumentar significativamente, uma vez que milhares de pessoas continuam desaparecidas e muitas permanecem soterradas sob edifícios que colapsaram. Governo português confirma a morte de seis portugueses e lusodescendentes e o desaparecimento de 56 portugueses na Venezuela.

As zonas costeiras de La Guaira e Morón estão entre as mais afetadas, registando-se também elevados níveis de destruição na capital, Caracas. Habitações, hospitais, hotéis, estradas e edifícios públicos sofreram danos graves, enquanto milhares de famílias ficaram desalojadas.

Locais reclamam sobre localidades onde não foi ainda possível chegarem equipas de socorro por falta de recursos humanos e meios, da falta de organização governamental, num país com áreas, mesmo antes do sismo, sem eletricidade, sem água, sem protocolos de emergência. Nos dias após os sismos, familiares de venezuelanos emigrados não conseguem contactar as suas famílias no local da tragédia por sobrecarga da rede. Locais apelam ainda à aceitação da parte do governo de toda a ajuda humanitária internacional, e sublinham que o país não tem capacidade para fazer face à catástrofe, onde ainda existem pessoas vivas que estão presas nos escombros e cada segundo conta para as salvar e milhares de pessoas desalojadas.

As operações de busca e salvamento continuam ininterruptamente, envolvendo equipas venezuelanas e especialistas internacionais. A Organização das Nações Unidas e vários países anunciaram o envio de ajuda humanitária, equipamento de resgate e apoio médico para responder à emergência.

As autoridades declararam o estado de emergência e alertaram a população para a possibilidade de novas réplicas, apelando para que sejam evitados edifícios danificados e respeitadas todas as indicações da proteção civil.

Especialistas explicam que a ocorrência de dois sismos de grande magnitude em menos de um minuto corresponde a um fenómeno sísmico raro, conhecido como "doublet", que aumenta significativamente o potencial destrutivo devido à sucessão rápida dos abalos.

Este é considerado o mais forte sismo registado na Venezuela em mais de um século e representa um enorme desafio humanitário para um país que já enfrentava profundas dificuldades económicas, estruturais e sociais.