LISBOA – O almirante Henrique Gouveia e Melo, que chegou a ser apontado como o favorito nas intenções de voto para as eleições presidenciais de 2026, reagiu este domingo aos resultados que o colocam na quarta posição.
Visivelmente crítico em relação aos estudos de opinião, o militar culpou o impacto das sondagens pela sua queda e recusou-se a declarar apoio direto a António José Seguro ou a André Ventura, os candidatos que deverão disputar a segunda volta.
Em declarações aos jornalistas, Gouveia e Melo afirmou ser "um momento muito precoce" para tomar decisões sobre alinhamentos políticos, mantendo a sua postura de independência. Apesar do resultado aquém das expectativas iniciais, o almirante sublinhou que se mantém "disponível para servir" o país, reforçando que a sua "participação cívica" não termina com este ato eleitoral.
Críticas às sondagens e o "exército de indecisos"
Ao longo da reta final da campanha, Gouveia e Melo tinha já manifestado o seu desagrado com a "ditadura das sondagens", que considerou serem instrumentos de condicionamento do voto e não apenas de leitura da realidade. Mesmo perante as quedas acentuadas registadas pelos barómetros de opinião — destacadas por vários analistas como as mais significativas desta corrida — o almirante tentou até ao fim mobilizar o que chamou de "exército enorme de indecisos".
O futuro do Almirante
A ausência de um apoio explícito nesta fase deixa em aberto o destino dos votos do eleitorado que se reviu na sua candidatura. Gouveia e Melo evitou comprometer-se com qualquer uma das frentes, sugerindo que o seu papel futuro passará por uma vigilância ativa e pelo serviço à pátria, sem esclarecer se esse caminho será feito dentro ou fora das estruturas militares.
O cenário político prepara-se agora para um embate decisivo na segunda volta, onde a neutralidade de Gouveia e Melo poderá ser um fator determinante na transferência de votos entre as candidaturas de António José Seguro e André Ventura.




