Estamos em Janeiro de 2026. Começa-se um ano e não se sabe como terminará. Ao termos formulado votos aos familiares, a amigos e a conhecidos, pronunciámos desejos de prosperidades, de felicidades, de paz, de saúde.
Aos mais íntimos, talvez tenhamos falado de concretização de sonhos, de projetos, de viagens.
Alguns continuarão ainda a formular votos, a concretizar projetos para 2026.
Quanto a mim, irei em peregrinação até à Ucrânia e à Rússia, e convidarei Putin e Zelensky a sentarem-se à mesa para se olharem olhos nos olhos, e obrigá-los-ei a encontrarem palavras e acordos de uma paz duradoura. Mostrar-lhes-ei corpos mutilados de soldados que nem saberão se são russos ou ucranianos. Levarei as angústias e os gritos lancinantes das mães, das namoradas e dos órfãos. Não lhes abrirei a porta sem encontrarem uma solução de paz justa e perene.
Deslocar-me-ei até Israel. Procurarei encontrar Netanyahu. Certamente que os seus conselheiros, ao verem o meu semblante de caminheiro, com mochila e sandálias, irão dissuadir-me de não insistir no meu desejo. Tentarei encontrar-me com israelitas nas ruas, nas praças públicas, nos cafés. Muitos confessar-me-ão a desilusão de não terem conseguido construir uma sociedade de concórdia entre os povos vizinhos. Pesar-lhes-á na consciência a destruição e as mortes de um povo que vive paredes-meias com eles, na designada faixa de Gaza. Tentarão ignorar as ocupações e expulsões constantes de familiares árabes na Cisjordânia. Viverão com medo e desejarão partir de um país que se tornou numa espécie de prisão e onde só poderão permanecer em constantes alertas, recorrendo a ameaças, a ódios e a assassinatos a quem os pretenda molestar.
Já não irei até ao Iémen. Certamente que seria difícil encontrar-me com os Houthis, empenhados que estão em continuar a guerrear-se com o poder central e cometer atos de pirataria para com navios no Mar Vermelho para subsidiarem a luta armada. Nem tão pouco me deslocarei ao Irão. Estarei atento ao que ali se passa e admirarei a coragem daqueles que enfrentarão a repressão dos Aiotalas que pretendem dirigir um país através de preceitos religiosos, controlando as consciências dos cidadãos.
Ao peregrinar no começo deste ano de 2026, é minha intenção sensibilizar povos e gentes para a beleza, a ternura, a amizade que se sobrepõem ao ódio, à guerra, ao exílio, à dor sem fim.
Gostaria de os incentivar a fomentar iniciativas de progresso, de diálogos proveitosos, de vitórias justas e de conquistas humildes.
Era bom que aprendessem a falar com as flores, com as crianças, com os velhinhos para lhes transmitir palavras de admiração e sorrisos encantadores.
Muita mudança seria necessário acontecer para obter a paz interior, a tranquilidade serena e o sono dos justos.
Ainda aguentaremos um ano a saborear o conforto da lareira, a felicidade familiar, a beleza feminina, a ternura dos netos, a tranquilidade dos idosos, o vigor da juventude?
Marquemos, desde já, um encontro para janeiro de 2027.

