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Portugal acordou este 9 de fevereiro com um novo inquilino em Belém. A vitória de António José Seguro na segunda volta, com uns expressivos 66,8%, não é apenas um triunfo pessoal ou do campo socialista; é uma escolha clara do eleitorado pela estabilidade e pela "normalidade democrática" num período de forte fragmentação.

Seguro soube posicionar-se como o "porto de abrigo" perante a retórica de rutura, capitalizando o voto dos moderados e da esquerda unida.

Contudo, a leitura da noite eleitoral seria incompleta se ignorássemos a "derrota vitoriosa" de André Ventura. Ao conquistar mais de 1,7 milhões de votos (33,2%), o líder do Chega forçou a passagem à segunda volta e consolidou-se como o eixo central da direita portuguesa. Embora tenha falhado o acesso a Belém, Ventura sai legitimado para reclamar a hegemonia da oposição parlamentar, colocando o Governo de Luís Montenegro sob um fogo cruzado constante. Contudo, o desvio dos votos da direita para Seguro, são um sinal claro que aquele eleitorado da direita não queria Ventura como presidente.

O Novo Tabuleiro Político

O impacto no Palácio de São Bento será imediato. Seguro já deixou claro o seu tom: "Não serei oposição, serei exigência". Esta postura indica que o Governo não terá a "conivência estratégica" que por vezes pautou mandatos anteriores. O novo Presidente será um fiscalizador atento, especialmente no que toca à ética e aos apoios sociais, como prometido no seu discurso sobre as populações afetadas pelas recentes intempéries.

Para o Governo, o desafio é duplo. Terá de conviver com um Presidente com uma legitimidade histórica de votos e, simultaneamente, gerir uma Assembleia onde a direita populista se sente agora mais dona do seu espaço do que nunca. A "era Seguro" promete ser a da vigilância institucional, onde cada diploma será passado pelo crivo de perguntas de uma magistratura que se quer independente, mas profundamente interventiva na defesa da coesão nacional.

 


 



 

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