O restaurante da Casa do Benfica de Bruxelas esteve ontem completamente cheio para acompanhar, ao jantar, o aguardado encontro entre o Sport Lisboa e Benfica e o Real Madrid, numa noite que ficará gravada na memória da comunidade portuguesa residente na capital belga.
Desde cedo, o espaço foi tomado por adeptos vestidos de vermelho, cachecóis ao pescoço e vozes prontas para empurrar a equipa para uma vitória que se sabia fundamental. Não era apenas mais um jogo: estava em causa a afirmação do Benfica frente a um gigante do futebol europeu, num momento decisivo da competição. À medida que os pratos iam chegando às mesas, crescia também a tensão, com cada lance a ser vivido como se fosse o último.
O jogo revelou-se tão intenso quanto dramático. Desequilibrado em favor do Benfica do primeiro ao último minuto, manteve todos presos ao ecrã, com suspiros colectivos, mãos na cabeça e explosões de alegria contida a cada oportunidade criada. Quando o golo decisivo surgiu já no último minuto, da cabeça do guarda-redes ucraniano para o coração de Portugal, o restaurante transformou-se num autêntico estádio: gritos, abraços entre desconhecidos, mesas a baterem em uníssono e muitos olhos marejados.
A vitória do Benfica, alcançada de forma tão sofrida quanto heroica, teve um significado especial para os portugueses de Bruxelas. Longe de casa, aquela noite foi mais do que futebol: foi um momento de identidade partilhada, de orgulho colectivo e de comunhão em torno das cores encarnadas. Para muitos, a Casa do Benfica voltou a cumprir o seu papel essencial — ser um pedaço de Portugal no estrangeiro, onde as emoções se vivem com a mesma intensidade que na Luz.
Quando o jantar terminou e o restaurante começou lentamente a esvaziar, permanecia no ar uma sensação de felicidade plena. Ontem, em Bruxelas, o Benfica não ganhou apenas um jogo: reforçou laços, reacendeu memórias e fez bater mais forte o coração de uma comunidade inteira.




