Parceiros

(Tempo de leitura: 2 - 4 minutos)
Painel de debate institucional sobre a indústria têxtil europeia, com quatro oradores sentados em palco e público atento, num auditório moderno com fundo azul e elementos visuais da União Europeia.


Debate da ANIVEC juntou instâncias da União Europeia, Business Europe e stakeholders

Bruxelas, 16 de janeiro de 2026 – Aplicação rigorosa das políticas comunitárias, acesso justo ao mercado único, incentivos para produtos feitos na UE com fibras recicladas e campanhas para promover a moda sustentável foram algumas das ações reclamadas pelo presidente da ANIVEC - Associação Nacional das Indústrias de Vestuário, Confeção e Moda, César Araújo, no debate sobre resiliência e competitividade da indústria têxtil e de vestuário (itv) da UE, que promoveu na tarde de ontem na REPER.

O evento, no contexto de uma iniciativa do CENIT (Centro de Inteligência Têxtil) relacionada com o Projeto Lusitano/ModaPortugal, contou com a participação de membros das instituições europeias e stakeholders, incluindo Quirino Mealha, Conselheiro para a Política Industrial na Representação Permanente de Portugal junto da UE; Luísa Santos, Vice-Diretora Geral da Business Europe; Jorg Wojahn, Chefe de Unidade, GSP, DG TRADE (Direção-Geral de Comércio); António de Sousa Maia, Conselheiro da DG GROW (Direção-Geral do Mercado Interno, Indústria, Empreendedorismo e PME); e Ana Tavares, empresária da indústria têxtil e representante da  ModaPortugal.

César Araújo destacou desafios e propostas para um futuro sustentável, alertando que a estratégia europeia para a sustentabilidade e a circularidade pode constituir tanto uma oportunidade como uma ameaça para a itv. "A resposta depende da forma como a UE lidar com os fatores mais críticos do mercado”, apontou, começando por referir "a dependência do SPG [Sistema de Preferências Generalizado] e a falta de controlo aduaneiro eficaz", e propondo que nenhum produto represente mais de 20% das importações dentro do regime SPG.

Na sua opinião, também "a regra 'de minimis' é frequentemente mal utilizada, permitindo a entrada de produtos não conformes no mercado único, o que prejudica a concorrência justa".

Os restantes fatores são o mercado de resíduos têxteis, em que César Araújo defende o estabelecimento de uma proporção mínima e verificada de materiais reciclados em todos os têxteis consumidos na UE, entre outras medidas; a padronização da Responsabilidade Alargada do Produtor (EPR) e a aplicação de taxas baseadas no impacto ambiental; e o incentivo para produção com fibras recicladas. "Estas são ações necessárias e urgentes para garantir a competitividade e a sustentabilidade da indústria de moda europeia", frisou César Araújo.

O Conselheiro da REPER Quirino Mealha admitiu que "a Europa não se pode dar ao luxo de deixar de produzir têxteis" e que "a remoção das barreiras comerciais e de investimento e a aplicação das regras vigentes são cruciais". Nesse sentido, apontou que "a UE tem reconhecido o peso da burocracia regulamentar e está a trabalhar para a racionalizar. O Omnibus 1 representa um exemplo disso". Acrescentou que "o ecodesign e o DPP [Passaporte Digital de Produto] não devem ser vistos como ferramentas de conformidade, mas sim como ferramentas para a criação de valor".

Por seu lado, a especialista em sustentabilidade Ana Tavares falou da investigação profunda que a ITV (particularmente a portuguesa) está a fazer em novos materiais, novas fibras, novos designs, e na sua incorporação em novos produtos. Reconhecendo que "um dos maiores desafios é a não inclusão de custos adicionais no preço final", a gestora declarou porém que "para nós, em Portugal, os têxteis mais ecológicos não são uma tendência futura, são uma realidade hoje".

A sessão promovida pela ANIVEC contou ainda, entre outras, com a intervenção de Luísa Santos, Vice-Diretora Geral da Business Europe, que defendeu: "Temos de tratar o e-commerce cada vez mais da mesma forma como tratamos o comércio tradicional". Indo ao encontro dos avisos de César Araújo, Luísa Santos disse ser necessário “melhorar a regulamentação e garantir que ela não 'mata' a inovação", tendo em conta que "a China já não produz produtos de baixo valor acrescentado, mas sim produtos de alto valor acrescentado. Em muitas áreas, eles lideram, e lideram muito mais do que nós".

Este evento-debate concluiu um roadshow iniciado por César Araújo em novembro, que incluiu várias reuniões de alto nível com membros da Comissão Europeia, Parlamento Europeu, Conselho da EU e partes interessadas, para analisar profundamente a ITV num momento crucial para a competitividade europeia. "A transição ecológica e a integridade do mercado exigem regras claras e aplicadas de forma justa. Foi isto que andámos a discutir com os decisores políticos e a indústria europeia", conclui o presidente da ANIVEC.

 


 



 

Temos em linha

Temos 39559 visitantes e 1 membro em linha

NOTÍCIAS RECENTES

Colunistas

EVENTOS ESTE MÊS

Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
25
26
27
28
29
30
31

Ambiente

We use cookies
Usamos cookies no nosso site. Alguns deles são essenciais para o funcionamento do site, enquanto outros nos ajudam a melhorar a experiência do utilizador (cookies de rastreamento). Você pode decidir se permite os cookies ou não. Tenha em atenção que, se os rejeitar, poderá não conseguir utilizar todas as funcionalidades do site.