Lisboa, 4 de março de 2026 – A mais recente reunião em sede de Concertação Social terminou esta manhã sem fumo branco.
Após sete meses de negociações em torno do novo acordo de rendimentos e competitividade, as partes continuam distantes de um consenso final, com o fator "tempo" a tornar-se o novo pomo da discórdia entre os parceiros sociais.
Patrões exigem celeridade
Os representantes das confederações patronais demonstraram hoje uma impaciência crescente. À saída do encontro, o porta-voz do patronato foi taxativo: as empresas precisam de previsibilidade e o atual arrastamento das negociações está a prejudicar o planeamento económico. O setor empresarial fixou um "ultimato" informal, apelando a que o processo seja concluído num prazo máximo de duas semanas.
UGT e Governo recusam "calendários apertados"
Do lado sindical, a UGT mantém uma postura mais cautelosa. A central sindical recusa submeter-se à pressão do cronómetro, argumentando que a qualidade das medidas e a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores são mais importantes do que a rapidez da assinatura. "Não temos prazos, temos objetivos", afirmou fonte da estrutura sindical.
O Governo, que tem mediado o processo, alinhou pelo mesmo diapasão. Embora reconheça o cansaço das partes após mais de meio ano de conversações, o Executivo sublinha que não irá impor datas limite que possam comprometer a viabilidade de um acordo abrangente e duradouro
Os pontos de discórdia
Apesar do secretismo que envolve os detalhes técnicos, sabe-se que os principais obstáculos continuam a ser:
* A trajetória de atualização do Salário Mínimo Nacional.
* Os incentivos fiscais à capitalização das empresas.
* As contrapartidas para o aumento da produtividade.
Com as posições cristalizadas, as próximas duas semanas serão decisivas para perceber se a pressão do patronato surtirá efeito ou se o impasse se prolongará pela primavera fora.




