Estrasburgo, França, 19 mai 2026 (Lusa) – O antigo primeiro-ministro e Presidente da República Aníbal Cavaco Silva defendeu hoje, no discurso de aceitação da Ordem Europeia do Mérito, no Parlamento Europeu, que “a União Europeia é um ativo da maior importância” no atual contexto geopolítico.
“Num tempo de forte instabilidade e incerteza mundial, de conflitos armados e ameaças, em que a voz de cada país isoladamente pouco conta, a União Europeia é um ativo da maior importância para todos os Estados membros”, afirmou Cavaco Silva, na sua intervenção no hemiciclo de Estrasburgo, durante a cerimónia de atribuição da recém-criada Ordem do Mérito aos 20 primeiros laureados.
No curto discurso previsto para cada laureado, apontou que “Portugal tem sido um parceiro ativo, defensor dos valores europeus e do aprofundamento do processo de integração, procurando sempre colocar os interesses nacionais específicos no quadro do interesse comunitário”.
Aníbal Cavaco Silva recebeu uma medalha entregue pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, uma fita de condecoração e um certificado assinado pela presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.
“Jacques Delors, um dos mais brilhantes europeístas que conheci, afirmou que Portugal participava na integração europeia como se tivesse sido um dos seus fundadores. Como primeiro-ministro, tive o privilégio de viver com entusiasmo a primeira década de Portugal na UE e os passos de gigante no aprofundamento da integração que então se deram. Como Presidente da República, acompanhei a reflexão e o debate sobre as reformas da União na sequência da crise financeira internacional de 2008”, apontou.
Afirmando-se “particularmente honrado e sensibilizado por integrar o grupo dos primeiros galardoados com a Ordem Europeia do Mérito”, Aníbal Cavaco Silva considerou que a criação desta distinção “é uma expressão do sucesso do projeto de integração iniciado em 1957 e um indicador de confiança no futuro de uma União portadora dos valores da paz, da liberdade, da democracia e do respeito pelos direitos humanos e que inclui entre os seus objetivos a solidariedade entre os Estados membros”.
“Que o Prémio Nobel da Paz, com que a União Europeia foi laureada em 2012, nos inspire para mostrar às novas gerações que a União tem futuro”, concluiu.
Na cerimónia de entrega daquela que é a primeira distinção europeia concedida pelas instituições da UE a indivíduos (e não organizações) que deram contributos excecionais para a unidade europeia, a democracia e os valores fundamentais consagrados nos Tratados da União, estiveram presentes 13 dos 20 laureados.
A Ordem é composta por três níveis de distinção crescente - membro, membro honorável e membro distinto -, tendo a mais alta distinção (também denominada insigne) sido atribuída a Merkel, Walesa, ambos presentes hoje em Estrasburgo, e ao Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que não marcou presença, enquanto Cavaco Silva foi laureado como membro honorável.
Na entrega da distinção a Cavaco Silva, o louvor foi lido pelo antigo primeiro-ministro e presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso, um dos membros do comité de seleção responsável pela nomeação dos membros da Ordem.
Justificou a atribuição da Ordem de Mérito “pela sua liderança como primeiro-ministro e como Presidente durante as primeiras décadas de Portugal como membro das Comunidade Europeias e da UE, pelo seu contributo para as negociações relativas ao Ato Único Europeu, ao Tratado de Maastricht e ao Tratado de Lisboa, pelo reforço da legitimidade democrática no âmbito do projeto europeu e pelo seu contributo para uma Europa mais forte e mais unida”.
Por seu lado, a presidente do Parlamento Europeu afirmou que a assembleia homenageia “as mulheres e os homens notáveis" que "escolheram construir a Europa em todos os setores da vida.










